Aí vai um conto. Na Linha Realismo fantástico. Coisa curta para não ficar sem escrever. Antes a frase do dia: EU CANTO QUANDO ESTOU TRISTE E TODOS FICAM TRISTE QUANDO EU CANTO. (se não me engano é do Millor Fernandes). Antes os informes. Não escrevi estes dias pois (ói que xique) adquiri um virus. Estas coisa que andam por aí a grudar na gente dando ansia de vômito, diárreia dores no corpo. Agora estou me recuperando. A propósito venham conhecer meus móveis. Estou recuperando móveis e em breve estarão em exposição. Outra coisa é a idéia de fazer uma exposição de caricaturas lá na Livraria Ciciliano. Para isto estou preparando caricaturas.
Abraços e até a próxima postagem.
O OLHO
Ele em silencio retirou o unico olho que ainda possuia. Só assim conseguia assobiar. E neste dia resolvera assobiar pois estava feliz. Deste modo cumpriu o ritual de sempre. De sempre quer dizer, de quando retirava o único olho que possuia. Falo aqui do olho do rosto. Encheu um copo de água até a metade, colocou duas gotas de detergente, tapou o copo com o toco de braço que possuia e sacudiu vigorosamente. A água espalhou por todo lado. pois o toco de braço não permitia que o copo ficasse totalmente fechado. Feito isto verificou a quantia de água presente no copo. Feliz com o que viu, apertou a pápebra esquerda encostando o rosto contra o copo. Com um "ploc" característico o olho saltou, indo cair na agua com detergente.
Apoiou a mão sobre a pia, e certificando-se de haver um lugar seguro onde apoiar o copo ali deixou-o.
Deu meia volta no calcanhar e abandonou a cozinha, sem trombar com nada. Não nos esqueçamos que a esta altura ele estava cego. Cego mas um grande conhecedor do espaço onde habitava. Deste modo foi postar-se defronte a televisão no outro cômodo quase que no extremo da casa. Para isto teve de atravessar doze lances de escada, e passar beirando a piscina. Tudo isto ele fez com a leveza e o profissionalismo daquela gente que no circo (algém lembra de circo?)atravessa a corda lá no alto de ponta a ponta com os olhos vendados.
Ligou a televisão e mais uma vez se perguntou por que o fazia já que não tinha olho, ou melhor se desfizera momentâneamente do seu.
Deu de ombros ao invez de responder a si mesmo. Ficou ali defronte á televisão por uma hora e meia, e resolveu dormir. Encostou no travesseiro (ele estava no quarto). e adormeceu.
Acordou no meio da noite em desespero. Não enxergava nada. Saiu feito um zumbi pela casa,até ir parar na cozinha, onde sua mão bateu contra um copo e algo foi ao chão. Tateou ficou feliz ao reconhecer o objeto como um olho. Depois pensou; mas de que me serve um olho se não posso colocá-lo de volta... Diante deste raciocínio, acabou de acordar e deu um grito desesperador que ecoou pela casa... Aquele madito pesadelo. Outra vez sonhando que retirava o próprio olho. Só que desta vez realmente o tirara... Escorregou pela parede da pia, caindo sentado no chão chorando, se posso usar este termo... Diante de si somente a escuridão.
ESTE ESPAÇO ESTÁ ABERTO, PARA APRESENTAR UM POUCO DE MINHA ARTE. SÃO TRABALHOS VARIADOS COM MÚLTIPLAS TÉCNICAS. DESDE PINTURAS EM TELAS PASSANDO POR PINTURAS SOBRE FOTOCÓPIAS E OUTRAS TÉCNICAS MAIS. OS DIREITOS AUTORAIS DAS IMAGENS SÃO RESERVADOS. FONES: (16) 9205-5165 - E-MAIL: fernandorochadoria@yahoo.com.br
sábado, 24 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
A GENTE FAZEMOS DE TUDO
Aqui estou novamente. Estive pintando um guarda roupa até agora. Faço pátina em móveis .Em breve mostrarei alguns de meus trabalhos nesta área.
Faço de tudo: Recuperação em móveis, objetos imagens, pintura em tela madeira papelão etc. Pinturas em azulejos. A Via Sacra da Paróquia Nsa Sra de Fátima de São Carlos, é de minha autoria. Tenho outras obras públicas. Ilustrei e ilustro livros contos e tudo o mais que comportar ilustrações. Faço retratos, caricatura etc. Estou saindo... Logo volto a escrever e postar imagens. AGUARDEM!!! lvirão surpresas. Abraços: Fernando
Aqui estou novamente. Estive pintando um guarda roupa até agora. Faço pátina em móveis .Em breve mostrarei alguns de meus trabalhos nesta área.
Faço de tudo: Recuperação em móveis, objetos imagens, pintura em tela madeira papelão etc. Pinturas em azulejos. A Via Sacra da Paróquia Nsa Sra de Fátima de São Carlos, é de minha autoria. Tenho outras obras públicas. Ilustrei e ilustro livros contos e tudo o mais que comportar ilustrações. Faço retratos, caricatura etc. Estou saindo... Logo volto a escrever e postar imagens. AGUARDEM!!! lvirão surpresas. Abraços: Fernando
segunda-feira, 19 de julho de 2010
64 e 68
Aí pessoal ! Minhas primeiras imagens de cartoon. Este é um dos meus primeiros filhos. Ou melhor o segundo. Antes nasceu o 64. Eu os publiquei no Jornal O Diário em Piracicaba. \tem este nome referente aos anos 60 da ditadura e do silencio..O 64 foi criado para poder falar. No jornal realmente ele criou asas. Só que as tiras eram meio mortas. Eu falava com ele e ele comigo. Um dia então surgiu um outro papagaio. Era filhote. Se apresentou como sobrinho do 64. O 64 negou ser tio dele. Bom então te chamo de pai, disse o 68. Não, falou o 64 pode me chamar de tio. E assim nasceu a dupla tio e sobrinho. O 64 que era esperto com o correr das tiras foi ficando meio bobo,e o 68 foi cada vez mais crescendo em" graça e sabedoria". Hoje eles tem suas personalidade formadas. Logo virão tiras deles.
Olá amigos deste planeta! Animo e corgem a todos. Começa como já disse um novo tempo. Grato pela mensagem Mandrágora.
Eu sou Pop por que não sou o papa.
Notícias. Ainda a toque de computador a lenha, estou me movimentando para fazer este blog andar.
Ontem aproveitei os intervalos de sono de minha filha, e desenhei uma caricatura. Á noite fotografei "uma manada" de desenhos quadros caricaturas materias de jornal etc, que em breve estarão aparecendo nestas páginas.
Desejo paz e felicidade aos meus irmãos das estrelas. Todos os que são felizes e que fazem os outros felizes. Humoristas cartunistas piadistas, enfim os que sabem ser felizes.
Abraços
Fernando Doria - ( JOFER) (nome criado para meu trabalho de cartunista quando trabalhei em Piracicaba no jornal "O Diário"
Estou retomando meu trabalho de artista gráfico.
Até a próxima postagem.
Eu sou Pop por que não sou o papa.
Notícias. Ainda a toque de computador a lenha, estou me movimentando para fazer este blog andar.
Ontem aproveitei os intervalos de sono de minha filha, e desenhei uma caricatura. Á noite fotografei "uma manada" de desenhos quadros caricaturas materias de jornal etc, que em breve estarão aparecendo nestas páginas.
Desejo paz e felicidade aos meus irmãos das estrelas. Todos os que são felizes e que fazem os outros felizes. Humoristas cartunistas piadistas, enfim os que sabem ser felizes.
Abraços
Fernando Doria - ( JOFER) (nome criado para meu trabalho de cartunista quando trabalhei em Piracicaba no jornal "O Diário"
Estou retomando meu trabalho de artista gráfico.
Até a próxima postagem.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Olá. Quase que por falta de algo para escrever estou escrevendo algo. Compreenda-se aqui que algo não é masculino de alga, por que na verdade nem sei ao certo se alga tem gênero. Bom não importa. O que importa na verdade é o que é mais importante. Aqui abro outro paragráfo, pois todos os dias estamos vendo tantas noticias relatos informações tão importantes,quando para mim diante destes fatos tão importantes, acabo ficando com meu gato fazendo suas nescessidades fisiológicas, que isto sim é importante, pois significa mais um dia de vida saudável para o gato. A próposito não tenho gato. Agora as brigas mundiais, seja na política no clero no claro, no escuro, na penumbra, tudo isto é nada perto do tudo que é o mais importante e ningém dá valor. Eu por exemplo tenho preocupações profundas com minha realidade existencial. Quem sou e de onde vim. Isto mexe com minha cabeça e me faz dar voltas na cama durante as noites. O resto fica sendo apenas o resto. E o resto normalmente se dispensa. Eu olho para o outro e não me encontro. Não no geral pelo menos. Ás vezes topo com um sorriso de alguém que sinto que me conhece. Quero dizer, como se estivesse na praia e derrepente encontrasse um amigo. Entre tantos desconhecidos, ali está um conhecido. Assim é comigo. Ando nas ruas, e vejo tantas " pessoa ". Derrepente vejo a pessoa. Aquela que sabe quem é de onde veio e por que está aqui. Esta me sorri por que sabe que somos iguais. O resto continua caminhando por aí a esmo, tentando cuidar da vida. Sei de onde vim para onde vou e por que estou aqui. E é por esta razão que escrevo aqui o que aqui estou escrevendo. Quase que uma carta cifrada, para os que entendem. Desejo muita luz e muita paz para todos. Continuarei a escrever falando de um monte de coisas importantes que no geral ningém dá importancia. A propósito, os tempos estão ficando curtos e bicudos. Cuidemos então do que é importante. O resto passará. Abraços a todos e a você particularmente, que esta lendo estes escritos. ( carta por mim recebida no dia 25/01/09 )
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Para que se possa buscar
Com um rápido olhar sobre a escrivaninha, Padre Lenim recolheu as últimas coisas que restavam. Subindo em uma cadeira, retirou o crucifixo da parede e acomodou na mala entre as roupas. Desceu um lace de escadas e conferiu o resto da casa. Fechou a porta dos fundos, e voltou-se para sair . Girando a chave duas vezes a porta da frente foi fechada. “ Tudo está consumado”, pensou ele. Agora era vida nova. Começou a caminhar pela calçada na direção contrária á paróquia. Em sua cabeça passavam os últimos acontecimentos. A conversa com o bispo, os aconselhamentos, a carta de silêncio obedecida uma vez. Uma segunda chamada, desta vez já não com o bispo e sim com o núncio , Don Rivelli, embaixador do Vaticano no país. Outra vez o pedido de silencio. Retirou-se para o mosteiro de São Norberto, para um tempo de recolhimento e contemplação. Tudo isto para terminar ali de modo simples. A casa paroquial fechada, e ele indo embora. Agora para sempre. No coração uma sensação de paz, mesclada com sentimentos de dor e mágoa. Aquela gente que ele amava, começou tudo aquilo. Havia uma semelhança muito grande com a paixão de Cristo. Ele não podia deixar de fazer comparações. As palavras e frases surgiam em sua mente. “Muitos vos perseguirão acreditando que fazem a vontade de Deus”. E a verdade? Onde ela estava? “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida disse Jesus”. Lenim não duvidava. Ele só duvidava que esta verdade pudesse estar na mão de alguns. Impossível, pensou ele mais uma vez. Mas logo afastou este pensamento de sua cabeça. Não precisava mais se torturar com estas questões. Já tomara sua decisão. Agora era seguir em frente. Isto porém não era fácil. Havia um temor muito grande dentro de si. Afinal estava abandonando Deus. NÃO!!! Isto não é verdade, gritava uma voz dentro de si. Deixar a Igreja não é deixar Deus. Depois ele nem deixara a Igreja. Fora a Igreja que o deixara. Se ele fora formado em filosofia, antes mesmo da teologia, isto não era para fechar-se em um pensamento. Pelo contrário, era ´para que pudesse pensar. Só que a Igreja não via assim. A Igreja o formara com filósofo para que ele pensasse segundo a Igreja. Pelo menos no que dizia respeito a um pensamento aberto ao público. O que ele pensava em seu coração era outra estória. Contanto que ele não misturasse o ensinamento da fé, com seus dilemas pessoais. Mas como faze-lo? Ele não conseguia. A coisas não eram separadas. Havia ainda o sofrimento de ver o povo que estava aos seus cuidados, recebendo ensinamentos que ele pouco a pouco já não acreditava. Ou melhor acreditava, mas não do modo como ensinava a Igreja. Acreditava de um modo maior. No entanto quando ele Padre Lenim, tentou expor isto em seus sermões, houveram protestos. E dos protestos até uma carta ao bispo, foi um passo. Dom Ângelo Celestino, chamou-o a conversar, e buscou “ orienta-lo ”. Esta palavra hoje soava muito estranha aos seus ouvidos. Orientar significava mostrar o oriente, a direção da luz. E para onde a Igreja indicava ele não via luz. Sua compreensão ia além. Ah., meu pequeno Lenim, se ao menos suas dúvidas fossem de ordem social, estaríamos melhor, dizia Dom Ângelo ao conversar com ele. Lenim,um nome tão diferente para um padre. Seu pai escolhera, para homenagear o líder revolucionário Russo. Seu pai um comunista de carteirinha, que foi sepultado com a bandeira do partido comunista, que sofrera nos porões da repressão, sem abandonar suas crenças,e que viu a democracia retornar e seu partido voltar a legalidade. Aquele senhor acreditava que seu filho continuasse seu legado, foi pego de surpresa quando Lenim decidiu seguir a carreira religiosa. Lenim que convivia com os camaradas do partido desde pequeno, levado por seu pai para as reniões do partido, também convivia com as senhoras da legião de Maria, quando ia á Igreja com sua mãe. Esta dupla convivência foi positiva, pois mais tarde já como padre, e mesmo nos tempos de seminário, ajudou-o a traçar um caminho mais equilibrado em sua fé. Sempre sentiu uma tendência mais contemplativa em seu coração. Não lhe agradava em nada os discursos sociais de seus companheiros de estudos, voltados para a teologia da libertação. Ele conhecia bem a política, para saber que o evangelho quando dizia pobres, não estava falando da matéria, pelo menos não exclusivamente, como faziam crer os adeptos da T.L. “Os pequenos do reino” soava-lhe muito incomodo, quando se referia aos abandonados materiais.Ele via algo muito maior nestas palavras.Via sim ali aqueles que alcançavam a intimidade com Deus através da contemplação, e que ao se tornarem pequenos, alcançavam a dimensão divina. Isto era muito mais que um discurso político, ou social que gerava na verdade mais divisões que comunhão. Lenim gostava muito mais do recolhimento. Tão pouco era amante de uma manifestação estrondosa de fé acompanhada de pregações ruidosas que terminavam em Amém, á moda de outras igrejas separadas da Igreja Católica. Por isto quando pároco da Igreja de Santa Madalena, nunca instalou movimento algum ali. A igreja é um povo dizia ele. E como tal deve ser amado em sua unidade. Por que pensar estas coisas agora, disse de si para si. Afinal literalmente a igreja estava ficando para traz. Não pretendia abandoná-la. Não tinha razão para tal. Por ele, el teria permanecido ali. Como padre. Não em silêncio,pois em seu íntimo sentia que silenciar-se seria no mínimo negar informações aos outros que ele via como verdadeiras. E mais, não era uma questão de falar ou não. As palavras são mais fortes do que metros sons vocalizados. São instrumentos transformadores. Geram idéias e que levam a ações concretas. O bom Giordano que o diga, pensou, referindo-se em seu pensamento á pessoa de Giordano Bruno. Quantas vezes no seminário ele imaginou o que se passava na cabeça de Giordano Bruno, no momento em que as chamas começaram a alcançá-lo. Não teria ele preferido ter se calado? Agora ali, naquele momento, revendo este pensamento, acreditou que apesar de tudo, Giordano Bruno, e tantos outros não se arrependeram de tudo o que haviam feito, e falado, ainda que a busca e prática daquilo que consideravam verdade, houvesse levado-os á condenação. Ele pelo menos fora mais feliz, poi só fora desligado da igreja. Desta vez não fora para a fogueira. Não uma de verdade pelo menos.
Com um rápido olhar sobre a escrivaninha, Padre Lenim recolheu as últimas coisas que restavam. Subindo em uma cadeira, retirou o crucifixo da parede e acomodou na mala entre as roupas. Desceu um lace de escadas e conferiu o resto da casa. Fechou a porta dos fundos, e voltou-se para sair . Girando a chave duas vezes a porta da frente foi fechada. “ Tudo está consumado”, pensou ele. Agora era vida nova. Começou a caminhar pela calçada na direção contrária á paróquia. Em sua cabeça passavam os últimos acontecimentos. A conversa com o bispo, os aconselhamentos, a carta de silêncio obedecida uma vez. Uma segunda chamada, desta vez já não com o bispo e sim com o núncio , Don Rivelli, embaixador do Vaticano no país. Outra vez o pedido de silencio. Retirou-se para o mosteiro de São Norberto, para um tempo de recolhimento e contemplação. Tudo isto para terminar ali de modo simples. A casa paroquial fechada, e ele indo embora. Agora para sempre. No coração uma sensação de paz, mesclada com sentimentos de dor e mágoa. Aquela gente que ele amava, começou tudo aquilo. Havia uma semelhança muito grande com a paixão de Cristo. Ele não podia deixar de fazer comparações. As palavras e frases surgiam em sua mente. “Muitos vos perseguirão acreditando que fazem a vontade de Deus”. E a verdade? Onde ela estava? “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida disse Jesus”. Lenim não duvidava. Ele só duvidava que esta verdade pudesse estar na mão de alguns. Impossível, pensou ele mais uma vez. Mas logo afastou este pensamento de sua cabeça. Não precisava mais se torturar com estas questões. Já tomara sua decisão. Agora era seguir em frente. Isto porém não era fácil. Havia um temor muito grande dentro de si. Afinal estava abandonando Deus. NÃO!!! Isto não é verdade, gritava uma voz dentro de si. Deixar a Igreja não é deixar Deus. Depois ele nem deixara a Igreja. Fora a Igreja que o deixara. Se ele fora formado em filosofia, antes mesmo da teologia, isto não era para fechar-se em um pensamento. Pelo contrário, era ´para que pudesse pensar. Só que a Igreja não via assim. A Igreja o formara com filósofo para que ele pensasse segundo a Igreja. Pelo menos no que dizia respeito a um pensamento aberto ao público. O que ele pensava em seu coração era outra estória. Contanto que ele não misturasse o ensinamento da fé, com seus dilemas pessoais. Mas como faze-lo? Ele não conseguia. A coisas não eram separadas. Havia ainda o sofrimento de ver o povo que estava aos seus cuidados, recebendo ensinamentos que ele pouco a pouco já não acreditava. Ou melhor acreditava, mas não do modo como ensinava a Igreja. Acreditava de um modo maior. No entanto quando ele Padre Lenim, tentou expor isto em seus sermões, houveram protestos. E dos protestos até uma carta ao bispo, foi um passo. Dom Ângelo Celestino, chamou-o a conversar, e buscou “ orienta-lo ”. Esta palavra hoje soava muito estranha aos seus ouvidos. Orientar significava mostrar o oriente, a direção da luz. E para onde a Igreja indicava ele não via luz. Sua compreensão ia além. Ah., meu pequeno Lenim, se ao menos suas dúvidas fossem de ordem social, estaríamos melhor, dizia Dom Ângelo ao conversar com ele. Lenim,um nome tão diferente para um padre. Seu pai escolhera, para homenagear o líder revolucionário Russo. Seu pai um comunista de carteirinha, que foi sepultado com a bandeira do partido comunista, que sofrera nos porões da repressão, sem abandonar suas crenças,e que viu a democracia retornar e seu partido voltar a legalidade. Aquele senhor acreditava que seu filho continuasse seu legado, foi pego de surpresa quando Lenim decidiu seguir a carreira religiosa. Lenim que convivia com os camaradas do partido desde pequeno, levado por seu pai para as reniões do partido, também convivia com as senhoras da legião de Maria, quando ia á Igreja com sua mãe. Esta dupla convivência foi positiva, pois mais tarde já como padre, e mesmo nos tempos de seminário, ajudou-o a traçar um caminho mais equilibrado em sua fé. Sempre sentiu uma tendência mais contemplativa em seu coração. Não lhe agradava em nada os discursos sociais de seus companheiros de estudos, voltados para a teologia da libertação. Ele conhecia bem a política, para saber que o evangelho quando dizia pobres, não estava falando da matéria, pelo menos não exclusivamente, como faziam crer os adeptos da T.L. “Os pequenos do reino” soava-lhe muito incomodo, quando se referia aos abandonados materiais.Ele via algo muito maior nestas palavras.Via sim ali aqueles que alcançavam a intimidade com Deus através da contemplação, e que ao se tornarem pequenos, alcançavam a dimensão divina. Isto era muito mais que um discurso político, ou social que gerava na verdade mais divisões que comunhão. Lenim gostava muito mais do recolhimento. Tão pouco era amante de uma manifestação estrondosa de fé acompanhada de pregações ruidosas que terminavam em Amém, á moda de outras igrejas separadas da Igreja Católica. Por isto quando pároco da Igreja de Santa Madalena, nunca instalou movimento algum ali. A igreja é um povo dizia ele. E como tal deve ser amado em sua unidade. Por que pensar estas coisas agora, disse de si para si. Afinal literalmente a igreja estava ficando para traz. Não pretendia abandoná-la. Não tinha razão para tal. Por ele, el teria permanecido ali. Como padre. Não em silêncio,pois em seu íntimo sentia que silenciar-se seria no mínimo negar informações aos outros que ele via como verdadeiras. E mais, não era uma questão de falar ou não. As palavras são mais fortes do que metros sons vocalizados. São instrumentos transformadores. Geram idéias e que levam a ações concretas. O bom Giordano que o diga, pensou, referindo-se em seu pensamento á pessoa de Giordano Bruno. Quantas vezes no seminário ele imaginou o que se passava na cabeça de Giordano Bruno, no momento em que as chamas começaram a alcançá-lo. Não teria ele preferido ter se calado? Agora ali, naquele momento, revendo este pensamento, acreditou que apesar de tudo, Giordano Bruno, e tantos outros não se arrependeram de tudo o que haviam feito, e falado, ainda que a busca e prática daquilo que consideravam verdade, houvesse levado-os á condenação. Ele pelo menos fora mais feliz, poi só fora desligado da igreja. Desta vez não fora para a fogueira. Não uma de verdade pelo menos.
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